Ombudsman ou Wallman ?
Rev.
Edemar V.
da Silva
Ombudsman é uma palavra sueca que significa representante do cidadão. O Ombudsman é o representante da população dentro da Empresa. O Ombudsman é um profissional contratado por um órgão, instituição ou empresa que tem a função de receber críticas, sugestões, reclamações, e deve agir em defesa imparcial da comunidade. O Ombudsman é o representante do cidadão junto à empresa, instituição ou parlamento. Na Suécia, onde se originou, o Ombudsman é um profissional dedicado a receber e checar as queixas da população, realizar a crítica interna da Empresa baseada nas informações a que tem acesso e fazer recomendações para a melhoria das ações e dos serviços prestados pela Empresa. Para exercer o cargo com independência, o mandato do Ombudsman costuma ser de um ano, com direito a uma única renovação por mais um ano, e o profissional não pode ser demitido durante o mandato. Desde os anos sessenta, vem crescendo a instituição do Ombudsman no mundo inteiro (o governo britânico o adotou em 1967). Já foi adotado até nos antigos países socialistas como: Rússia e Polônia. Em Bangladesh, o Parlamento previu na Constituição de 1972, em seu artigo 77, a criação do escritório de Ombudsman. A idéia é que o escritório de Ombudsman funcione como um Parlamento paralelo, e que tenha o poder de investigar ações públicas de interesse da população, que estejam tramitando em qualquer esfera judicial. O objetivo dessa investigação do escritório de Ombudsman é o de assegurar que haja justiça nos procedimentos e nas decisões administrativas em processos de interesse do povo. O escritório de Ombudsman não pode mudar ou alterar as decisões das autoridades, mas pode recomendar às autoridades mudança nos procedimentos para que a justiça se estabeleça de forma natural. A versão brasileira do “Ombudsman” é o “Ouvidor-Geral”. O que não falta no Brasil são as “ouvidorias”… Tem a “Ouvidoria Geral da República”, “Ouvidoria Geral da Previdência Social”, tem ouvidoria no BNDEs, na Caixa Econômica Federal, no Banco do Brasil, no Inmetro, na Prefeitura, no Governo do Estado do Paraná resolveram criar uma Secretaria Especial para a Ouvidoria, tem a ouvidoria do servidor público, tem a ouvidoria da Polícia, tem as ouvidorias das Universidades… E por aí vai… O que não falta no Brasil são ouvidorias… Se todas essas ouvidorias agissem realmente em defesa do cidadão seria uma beleza, e o Brasil se tornaria um modelo para o mundo em termos de “ombudsman”… Todavia, temos percebido um distanciamento muito grande entre a ouvidoria brasileira e o “ombudsman”, lá do exterior… A primeira dificuldade que o cidadão brasileiro encontra é o estabelecimento do contato. Nem sempre se consegue falar com o ouvidor pelo telefone, e os emails costumam se perder nos caminhos da burocracia. Ao invés de lutar pelos interesses do cidadão, parece que o papel do ouvidor brasileiro é o de respaldar as decisões do órgão, instituição, diretoria, reitoria, ou parlamento, visto que, em geral eles estão sempre justificando os porquês de cada decisão, e tentando convencer o cidadão a acatar a decisão anteriormente tomada… Quer dizer, no Brasil o “ouvidor” está no caminho oposto ao do “ombudsman” original… Outro desvio que observamos é que, ao invés da ouvidoria ser um canal de acesso do cidadão ao comando de onde emanou a decisão, se transformou, na realidade, em um “paredão”, uma instransponível muralha de proteção dos dirigentes ou do poder central, com bloqueio total do acesso do cidadão. Os nossos ouvidores estão mais para “wallman” do que para “ombudsman”… E como no Brasil só dá “esperto”, tem “wallman” prá todo lado, e o cidadão vai ficando cada vez mais indefeso e sem voz. Antigamente até fazia parte de um programa humorístico a expressão: “onde está o Chefe, quero falar com o chefe ?”; porque, naquela época, quando você queria reclamar você conseguia falar com o Chefe, com o Gerente, com o Diretor ou Presidente de alguma empresa, com o Pastor! Mas, hoje em dia, com a proliferação dos “wallman”, fechou-se a porta de acesso do cidadão às pessoas que exercem o poder e que tomam as decisões. Os “wallman” estão por aí, no governo, nos bancos, nas repartições públicas, nas grandes empresas, nas médias empresas, nos pequenos escritórios, nas lojas, nas biroscas da esquina, e agora já começam a proliferar também nas igrejas evangélicas! Se você tenta agendar uma palavra com algum pastor “famoso”, de “renome”, ou até mesmo com aquele que “pensa” que é famoso ou de renome, tem sempre um “wallman” ou uma “wallwoman” no caminho para barrar você! E, se você descobre o número do telefone celular de algum deles, não adianta, porque nem o celular essa gente atende mais; quem atende é sempre o “wallman”… Pode até ser que lá fóra ainda exista “ombudsman” para ouvir e defender os direitos do cidadão, mas por aqui está feia a “coisa”… A versão brasileira do “ouvidor” virou “wallman”, e o povo continua sem acesso, indefeso e sem voz…
