Teologia Relacional, Teísmo Aberto ou Teologia da Abertura de Deus
Há por aí uma nova teologia,
que parece estar ganhando muitos adeptos, que vem sendo denominada de Teologia
Relacional, Teísmo Aberto ou Teologia da Abertura.
A Teologia Relacional se propõe a rever os conceitos da igreja histórica sobre
Deus, por julgá-los inadequados e ultrapassados, e tem por objetivo apresentar
uma nova visão de Deus, e da sua maneira de se relacionar com a criação. Rejeita
alguns dos atributos de Deus, tais como:- onisciência, onipotência,
imutabilidade, e, inclusive a soberania de Deus! Podemos resumir o pensamento da
teologia relacional mais ou menos assim:-
1. Principal atributo de Deus = o amor.
Deus é sensível e se comove com os dramas de suas criaturas.
2. Deus não é soberano.
Deus abriu mão da sua soberania. Ele é incapaz de realizar tudo o que deseja,
como impedir tragédias e erradicar o mal. O homem tem capacidade e liberdade
para cooperar ou contrariar os desígnios de Deus. Deus se adequa às decisões
humanas e, ao final, vai obter seus objetivos eternos, redesenhando a história
de acordo com as decisões humanas.
3. Deus ignora o futuro
– Ele não é atemporal, ele vive no tempo. O futuro inexiste. Deus não sabe
antecipadamente que decisões as pessoas haverão de tomar, pois os seres humanos
são absolutamente livres para tomarem as suas decisões. O futuro é determinado
pela combinação do que Deus e as suas criaturas decidem fazer.
4. Deus se arrisca. Ao
criar seres racionais livres, Deus se expôs a riscos... Deus não sabia qual
seria a decisão dos Anjos, no céu, e nem a de Adão e Eva, no Éden. E ainda hoje,
por respeitar a liberdade concedida ao homem, Deus se arrisca diariamente.
5. Deus não é onipotente.
Ele pode sofrer e cometer erros em seus conselhos e orientações. Seus planos
podem ser frustrados. Ele se frustra e expressa esta frustração quando os seres
humanos não fazem o que ele gostaria.
6. Deus é mutável. Ele é
imutável apenas em sua essência. Deus pode se arrepender de decisões tomadas,
como reação às decisões das suas criaturas. Deus é mutável e aprende com o
passar do tempo histórico. Esta postura é chamada de teologia do processo.
A doutrina da teologia relacional é espúria e apócrifa. Confronta, questiona e
rejeita os seguintes princípios inalienáveis da fé cristã, da teologia
reformada, e da doutrina histórica da Igreja:-
1) Quem é Deus na Teologia Relacional?
R = No conjunto da doutrina da teologia relacional vislumbra-se o retrato de
um deus frágil, vulnerável, impotente, subserviente e refém do homem, alienado
(alheio a qualquer conhecimento futuro), temporal, frustrável e mutável.
O que ensina e teologia reformada -
a doutrina histórica da igreja:- “Há um só Deus vivo e
verdadeiro, o qual é infinito em seu ser e perfeições. Ele é um espírito
puríssimo, invisível, sem corpo, membros ou paixões; é imutável, imenso, eterno,
incompreensível, opinotente, onisciente, santíssimo, completamente livre e
absoluto, fazendo tudo segundo o conselho da sua própria vontade, que é reta e
imutável, e para a sua própria glória. É cheio de amor, é gracioso,
misericordioso, longânimo, muito bondoso e verdadeiro galardoador dos que o
buscam, e, contudo, justíssimo e terrível em seus juízos, pois odeia todo
pecado; de modo algum terá por inocente o culpado.” – Transcrição do Capítulo II
– De Deus e Da Santíssima Trindade, da Confissão de Fé de Westminster.
2) O conhecimento de Deus na Teologia
Relacional – buscam o conhecimento do Deus da Bíblia, fóra da
Bíblia... Tentam descobrir Deus a partir de questionamentos humanos, e nos
relacionamentos humanos.
O que a Bíblia diz - a doutrina histórica da igreja:-
“Replicou-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos
o Pai, e isso nos basta. Disse-lhe Jesus: Filipe, há tanto tempo
estou convosco, e não me tens conhecido?
Quem me vê a mim vê o Pai; como
dizes tu: Mostra-nos o Pai? Não crês
que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as
digo por mim mesmo; mas o Pai, que
permanece em mim, faz as suas obras.
Crede-me que estou no Pai, e o Pai, em mim;
crede ao menos por causa das mesmas obras. Em verdade, em
verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e
outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai. E tudo quanto pedirdes em
meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se me
pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei.
Se me amais, guardareis os meus mandamentos.”
– João 14:8-15
“As coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus, porém as reveladas
nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as
palavras desta lei.” – Deuteronômio 29:29
“Sola Scriptura” (=
“Através da Escritura somente”) - Na teologia reformada e na doutrina histórica
da Igreja se crê na suficiência das Escrituras Sagradas, que a Bíblia é a
Palavra de Deus, e que contém toda a revelação de Deus para o homem, não havendo
necessidade de se buscar nenhum conhecimento de Deus fora da Bíblia. A Bíblia
interpreta a própria Bíblia. A Bíblia é a única regra de fé e prática para o
cristão.
“Sola Scriptura” –
foi um dos pilares da Reforma protestante desencadeada pelo reformador Martinho
Lutero, e, ainda hoje, continua sendo um dos princípios definitivos do
cristianismo e da teologia reformada.
3) O pensamento da
Teologia Relacional sobre o futuro e o Livre Arbítrio:
a) Sobre o Futuro –
diz que Deus não é atemporal, que Ele vive no tempo, e que o futuro inexiste.
Deus não sabe antecipadamente que decisões as pessoas haverão de tomar...
O que a Bíblia diz - a doutrina
histórica da Igreja:- Em Atos 1:7-8 está escrito:- “Então, os
que estavam reunidos lhe perguntaram: Senhor, será este o tempo em que restaures
o reino a Israel? Respondeu-lhes: Não vos compete conhecer tempos ou épocas
que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade;”.
“Tu, ó SENHOR Deus, és tudo o que tenho.
O meu futuro está nas tuas mãos;
tu diriges a minha vida.” - Salmos 16:5
“Antes de formares os montes e de começares a criar a terra e o Universo,
tu és Deus eternamente, no passado, no
presente e no futuro.” - Salmos 90:2
“O SENHOR diz a
vocês: “Há muito tempo, eu falei de
coisas do futuro, disse
claramente o que ia acontecer. De repente, agi,
e tudo aconteceu como eu tinha dito.”
- Isaías 48:3
“Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje
e sempre.” – Hebreus 13:8
b) o pensamento da teologia relacional sobre o Livre Arbítrio
– diz que os seres humanos são absolutamente livres para tomarem as suas
decisões, e que Deus respeita a liberdade concedida ao homem.
O que a Bíblia diz
- o pensamento de teologia reformada, da doutrina histórica da Igreja:-
Que o homem não é absolutamente livre está claro no texto bíblico de Romanos
7:14-25:
“Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal,
vendido à escravidão do pecado. Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo
de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto. Ora, se faço
o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz isto já não
sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto
é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não,
porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que
não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu
quem o faz, e sim o pecado que habita em mim.
Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim.
Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos
meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz
prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros.
Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus
por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente,
sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado.”
"Quando Deus converte um pecador e o transfere para o estado de graça,
ele o liberta da sua natural escravidão ao pecado e, somente pela sua graça, o
habilita a querer e fazer com toda a liberdade o que é espiritualmente bom, mas
isso de tal modo que, por causa da corrupção, ainda nele existente, o pecador
não faz o bem perfeitamente, nem deseja somente o que é bom, mas também o que é
mau. Ref. Col.1: 13; João 8:34, 36; Fil. 2:13; Rom. 6:18, 22;
Gal.5:17; Rom. 7:15, 21-23; I João 1:8, 10. - Transcrição do tópico IV, Capítulo
IX da Confissão de Fé de Westminster.
4. O pensamento da teologia relacional sobre a
“mutabilidade” de Deus – diz que Deus pode se arrepender de decisões
tomadas, como reação às decisões das suas criaturas. Que Deus é mutável e
aprende com o passar do tempo histórico. Esta postura é chamada de teologia do
processo.
O que a Bíblia diz - o pensamento da teologia reformada, da
doutrina histórica da Igreja:- “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do
alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou
sombra de mudança.” – Tiago 1:17
“Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre.” – Hebreus
13:8
Quando a Bíblia fala em arrependimento de Deus ( Gn6.6-7; Ex 32.14; Jz 2.18; 1 Sm 15.11) trata-se de antropopatismo (= forma metafórica de atribuir a DEUS sentimentos humanos para facilitar ao homem a compreenção de Deus). Na realidade, Deus abranda ou muda sua maneira de lidar com os homens de acordo com os seus soberanos e eternos propósitos.
Numa igreja adepta da Teologia Relacional, hinos tradicionais como o "TÚ ÉS FIEL, SENHOR", jamais poderão ser entoados, a não ser que as suas letras sejam modificadas... Diz o hino...
TÚ ÉS FIEL, SENHOR, Ó PAI CELESTE,
TEUS FILHOS SABEM QUE NÃO FALHARÁS,
NUNCA MUDASTE, TU NUNCA FALTASTE
TAL COMO ERA TÚ SEMPRE SERÁS
- Hino Num. 32 do Hinário
Presbiteriano Novo Cântico.
Deus não se retirou de cena; não está omisso, e nem tampouco deixou de
conhecer o futuro, como pensam os adeptos da Teologia Relacional. Deus
continua sendo um Deus de amor, bondade, misericórdia, onisciente, onipotente,
imutável, logânimo e compassivo. Deus continua sendo um Deus Todo-Poderoso, e
está pronto a intervir na natureza na hora que Lhe aprouver, para impedir ou
fazer cessar quaisquer calamidades, sejam elas de ordem natural, ou decorrentes
do pecado do homem. Em II Crônicas 7:14, além do perdão oferecido pelo Senhor,
Deus promete também sarar a terra ferida ( ou seja, fazer cessar as
calamidades! ): “Se eu cerrar os céus de modo que não haja chuva, ou se
ordenar aos gafanhotos que consumam a terra, ou se enviar a peste entre o meu
povo; se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me
buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus,
perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra. Estarão abertos os
meus olhos e atentos os meus ouvidos à oração que se fizer neste lugar”.
A condição estabelecida é que o homem se arrependa do seu pecado, se converta
dos seus maus caminhos, e se volte novamente para Deus!
Louvado seja Deus, que não permitirá que as ovelhas do seu
aprisco venham a ser apanhadas e levadas por essas doutrinas estranhas. O Senhor
Jesus Cristo afirmou em João 10:5: “...mas de modo nenhum seguirão o estranho;
antes, fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos”. Contudo,
nós precisamos ter mais zelo e rigor doutrinário...
Em nossos cultos hoje em dia, gasta-se muito mais tempo com o louvor, do que com
a Palavra! Os eventos musicais superlotam, enquanto que uma minoria participa
dos estudos bíblicos semanais e da Escola Dominical. É tempo de se orar,
desejar e buscar um avivamento da Palavra, que venha para restaurar a primazia
da Palavra nas liturgias dos nossos cultos, para fortalecer a Igreja contra
esses ventos de doutrinas contrárias, e para que os discípulos
formados possam se apresentar diante de Deus aprovados, como obreiros que não
tenham de que se envergonhar, que manejem bem a palavra da verdade. ( II Tm 2:15
).
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